
Projeto prevê integração de câmeras, leitura de placas e compartilhamento de informações entre municípios e forças de segurança para criar um cinturão regional de proteção
A Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (Amepi) promoveu na manhã desta quarta-feira (3), uma reunião estratégica para discutir o futuro da segurança pública regional. O encontro reuniu representantes das forças de segurança e teve foco a construção de um modelo integrado de monitoramento e inteligência capaz de fortalecer a prevenção e o combate à criminalidade em toda a região.
Participaram o presidente da Amepi e prefeito de Rio Piracicaba, Augusto Henrique, representantes da Polícia Militar, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a vice-prefeita Rode Basílio, de Bela Vista de Minas, integrantes da Guarda Civil Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo, além do secretário executivo da Amepi, Guilherme Nasser.
Durante o encontro, foi defendida a ideia de que a segurança pública deve ser enxergada como uma grande máquina integrada, na qual cada município e cada força de segurança atuam como engrenagens de um mesmo sistema. A união das cidades permitiria ampliar a capacidade de prevenção, fiscalização e resposta às ações criminosas, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população.

Um dos principais temas debatidos foi a criação de uma blindagem de segurança regonal, baseada na integração de sistemas de videomonitoramento já existentes e outros a serem implantados nos municípios. A proposta prevê um cerco eletrônico regional operado pela Polícia Militar, utilizando câmeras inteligentes capazes de realizar a leitura automática de placas de veículos e compartilhar informações em tempo real entre as cidades participantes. A iniciativa também prevê a integração de câmeras públicas e privadas, formando uma barreira invisível nas principais vias de acesso ao Médio Piracicaba. Com isso, será possível identificar veículos suspeitos, monitorar deslocamentos e dificultar a circulação e a fuga de criminosos entre os municípios da região.
Durante a apresentação, João Monlevade foi citada como referência na utilização da tecnologia para a segurança pública e gestão urbana. Atualmente, o município conta com centenas de câmeras instaladas em pontos estratégicos e registra cerca de 52 mil capturas de imagens por mês. O sistema atende não apenas às demandas da segurança pública, mas também auxilia ações de fiscalização e monitoramento realizadas por diferentes setores da administração municipal. Por exemplo, as informações geradas pelas câmeras já auxiliam a Brigada Municipal, o Corpo de Bombeiros, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e o Serviço Voluntário de Resgate (Sevor).
Entre os exemplos apresentados, uma câmera instalada na região do Posto Graal registra aproximadamente 9 mil leituras de placas por mês. Já o equipamento localizado na Praça do Lindinho realiza o monitoramento de cerca de 9 mil veículos por dia, demonstrando o potencial da tecnologia na geração de informações para prevenção e investigação.
Conforme apresentado pelo Tenente Daniel, da 17ª Cia Independente da Polícia Militar, além da segurança pública, o videomonitoramento tem sido utilizado para outras finalidades. Um dos exemplos citados foi o apoio às ações de fiscalização ambiental, especialmente no combate ao descarte irregular de resíduos, demonstrando que a tecnologia pode contribuir para diversas áreas da gestão pública.
Representantes da PRF destacaram que um dos principais desafios enfrentados atualmente na região está relacionado ao roubo de cargas. Segundo a corporação, há conhecimento sobre a atuação de quadrilhas especializadas nesse tipo de crime, responsáveis por roubar mercadorias e comercializá-las posteriormente de forma ilegal. A ampliação do monitoramento inteligente poderá contribuir para a identificação desses grupos e para o rastreamento de veículos utilizados nas ações criminosas.
Evolução tecnológica e integração regional
O comandante da 17ª Cia Independente, Major Rodrigo, ressaltou que a integração tecnológica representa uma evolução importante para a segurança pública, permitindo maior agilidade nas operações e ampliando a capacidade de atuação das forças de segurança. Outro diferencial é a possibilidade de acesso às informações por dispositivos móveis, permitindo que militares acompanhem os dados até mesmo pelo celular. “A meta discutida durante a reunião é transformar o Médio Piracicaba em uma região cada vez mais protegida, dificultando a ação de criminosos e desviando as rotas utilizadas por quadrilhas que atuam em diferentes municípios”, afirmou.
Para o presidente da Amepi, Augusto Henrique, a integração regional é o caminho para fortalecer a segurança e garantir mais tranquilidade à população. “A segurança não respeita limites territoriais. Por isso, precisamos trabalhar de forma integrada, compartilhando tecnologia, informações e inteligência. Quando os municípios se unem, toda a região ganha. Nosso objetivo é construir um verdadeiro cinturão regional de segurança, contribuindo para cidades mais seguras, organizadas e com mais qualidade de vida para todos”, destacou.
Conforme Augusto, uma nova reunião será marcada com os prefeitos para aprofundar as discussões técnicas e definir os caminhos para a implantação do sistema integrado para fortalecer a segurança em todo o Médio Piracicaba.